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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Capitulo III – Dúvidas


Lembro-me de ter acordado em uma sala escura, estava de pé, mas sem nada embaixo. Estava flutuando, por um momento pensei que já estava morto, mas por quê? O que tinha acontecido? Não me lembro de muita coisa, tenho apenas uns flashes na cabeça. Apenas a vasta lembrança de ir para o hotel acompanhado, mas com quem? Comecei a pensar, tentando recordar qualquer coisa, mas parecia que tinha perdido uma parte da minha memória.
Resolvi pedir ajuda, parecia loucura, afinal não faço idéia onde estou, mas quanto mais gritava, um forte zunido começou a penetrar nos meus ouvidos, era um som agudo, fechei os olhos e comecei a me debater, entrei em desespero, cada grito de socorro e o barulho aumentava mais. Até que desmaiei.
         Senti que estava sendo carregado por um corpo estranho, indaguei, “Quem é você?”, mas ao abrir a minha boca novamente, o estranho barulho voltou e acertou meu cérebro como uma bala. Resolvi ficar quieto e ver até onde estava sendo levado. Ao olhar para frente, vi uma luz bem ao fundo, estava imóvel, parecendo estar me esperando.
         Tomei a decisão de tentar ficar de pé novamente, forcei minhas pernas a se levantarem, mas o esforço foi em vão, até que uma idéia maluca me veio na cabeça. Vou tentar me comunicar telepaticamente, pensei comigo, “Se já estou morto mesmo, não custa tentar”, no entanto ao ponderar aquilo, o corpo imediatamente parou e me olhou. Finalmente pude ver quem era. Era um rosto familiar, acabou me despertando várias lembranças e uma forte dor de cabeça, diversos rostos familiares, porém antes que pudesse reconhecer realmente quem era, a luz do fundo aumentou bruscamente e ofuscou toda visão. Pensei ter ficado cego.
         O corpo que me levava, sumiu no ar. Aquela luz branca parece ter consumido todo seu corpo. Ao cair, senti que o chão havia aparecido e que na minha frente havia uma cadeira. Uma voz serene falou em meu ouvido, “Por favor, sente-se”, parecia à fala de uma criança. Com medo de falar alguma coisa, resolvi obedecer, apenas acenei com a cabeça, sem saber de onde vinha, apenas fui para a cadeira e sentei.
         Aquela cadeira era totalmente desconfortável, suas pernas não mostravam segurança, qualquer movimento mais brusco e ela poderia quebrar facilmente. Ao me sentar um ponteiro gigante apareceu em meus pés e todo branco na volta se transformou em uma enorme sala, com vários relógios na parede. A voz falou novamente, “Agora podemos começar”. A sala começou a girar lentamente, parecendo o ponteiro dos segundos, me senti em uma sala de interrogatório, com vários relógios na parede, alguns parados, outros girando no sentido anti-horário.
         - Eu sei que você tem várias dúvidas, muitas perguntas. Posso afirmar que ao longo do tempo você obterá as respostas, mas primeiro precisa entender o que está acontecendo, a razão de tudo isso. Contudo não posso lhe dizer diretamente, só posso responder as suas perguntas, por isso seja preciso. Seu tempo está passando.
         - Eu morri? Foi a primeira coisa que me veio a cabeça. Senti que a sala parou por alguns segundos e girou rapidamente, até voltar ao seu ritmo inicial.
         - Sua pergunta é simples, porém complexa, mas não, você não está morto. Nesse exato momento você está no seu hotel, com a sua companheira e futura mãe do seu filho.
         - Quê?!? Como assim? Mãe? Filho? A sala voltou a girar em um ritmo frenético, quase me derrubando da cadeira. Os relógios na parede começam a girar no mesmo ritmo. Alguns chegaram a cair no chão, mas nada aconteceu.
         - Se você quer as respostas, por favor faça as perguntas certas. A sala gira conforme as batidas do seu coração. Formule-as direito e responderei com clareza.
         A sala foi voltando ao seu ritmo normal à medida que fui me acalmando, mas mesmo assim, milhares de perguntas surgiam, não conseguia formular nada, queria perguntar tudo de uma vez, mas se entrasse em desespero a sala giraria novamente. O ritmo aumentou por alguns segundos, mas voltou ao normal.
         - Que lugar exatamente é esse? E o que são todos esses relógios? O que eles representam? E qual a razão pra tudo isso?
         - Você faz muitas perguntas, mas tudo bem. Esse lugar nada mais é que a sua cabeça. Sim, você está dentro da sua consciência. Você tem a mente perturbada. Você está correndo contra o tempo Sr. Mason ou Steve como prefere. Seu passado o condena, porém a vida está dando mais uma chance. Resolva tudo, antes que seja tarde demais. Voltaremos a nos encontrar. Por enquanto é só, você vai acordar na sua cama ao lado de sua futura esposa. Escute com atenção, se você ousar fugir novamente ou tentar fazer alguma coisa pra evitar esse bebê, nossa conversa será diferente. Em breve conversaremos. Agora vá.
         Sem dar chance à outra pergunta, a sala rodou rapidamente, senti que o chão desabava e que o ponteiro sumira. Os relógios na parede começavam a despertar, o zunido voltou e agora estava em queda livre, rodando.
         Acordei suado, ao lado de Karoline, que ainda dormia. Levantei assustado, sem saber o que exatamente tinha acontecido, olhei para o meu relógio para ver que horas eram. Exatamente 3 horas da manhã, não tinha passado nem um minuto. “Será um pesadelo?”, pensei comigo, “Isso realmente aconteceu?”. Resolvi tomar um banho para relaxar. Dessa vez a água funcionava, a luz ligava, tudo tinha voltado ao normal. Tomei um banho de 15 minutos e fui deitar. Para minha surpresa, Karol estava acordada, em frente à janela. Ao ver aquilo, pensei estar voltando no tempo. Aproximei-me e vi que escorriam lágrimas no seu rosto. Ela observava os prédios vizinhos e com aqueles lindos olhos, ainda brilhando, refletindo a luz da noite, ela me abraçou e não falou nada, continuou chorando.
         Sem entender muito bem o motivo e meio receoso em perguntar, resolvi saber o por que. “Porque choras? Foi alguma coisa que fiz ou falei?”. Ela continuou sem responder, achei melhor não falar mais nada. Apenas levei de volta a cama e passamos a noite inteira quietos, conseguia ouvir somente o seu choro.
         Quando acordei, Karol não estava mais ao meu lado, apenas um bilhete fora deixado ao lado da minha cabeceira. Dava para notar pelo papel, que foi escrito sobre lágrimas, pois estava um pouco borrado. Sua letra era linda, mas saiu toda tremida. Naquele pequeno pedaço de papel dizia: “Sr. Mason, obrigado pela ótima noite, só tenho que agradecer. Desculpe pelo que aconteceu ontem, mas acho melhor a gente parar por aqui antes que seja tarde. Estou me demitindo, mas quero que saiba que isso é para o nosso bem, e que o problema não é você e sim eu. Prefiro que passamos um tempo sem contato, vou para casa de parentes. Espero que um dia a gente se encontre. Karol”.
         Ao terminar de ler aquelas palavras, senti um frio na nuca e a mesma voz ecoando em meus ouvidos, “Lembre-se da nossa conversa, não fuga, vá atrás dela e não deixe que termine assim. As vezes temos que fazer um sacrifício em benefício de outros, no caso aqui é a vida de vocês está em suas mãos.”, respondi, “Mas por onde começo? Não faço idéia os parentes dela moram, nem tenho a certeza que ela foi pra lá”. “Sabe acho que tudo isso é perda de tempo, acabei bebendo demais e estou começando a imaginar coisas, vou ao médico agora mesmo e ver o que está acontecendo comigo. Essa Karol só pode ser louca, mais uma na minha vida”. Tomei a coragem de ignorar tudo e resolvi sair do quarto. Rasguei o papel em vários pedaços e atirei pela janela. Estava decido em deixar tudo para trás e ignorar o aviso.
         Ao me encaminhar para a porta, um forte vento abriu a janela e uma carta entrou quarto adentro. Minhas entranhas se entroalharam, as portas começaram a bater forte e a janela fechou com tanta força que quase quebrou. A carta caiu no meu pé, abaixei-me para pegar. Abri e vi que tinha algo mais além de um pedaço de papel. Continha um laço vermelho, com um perfume familiar, uma foto. No pequeno papel havia apenas uma frase: “VOCÊ VAI SE ARREPENDER POR ISSO”.
         As portas pararam de bater e abriram nas minhas costas. Ao olhar me deparei com o antigo dono do hotel, que estava dando gargalhadas, seus dentes amarelos, rangiam e ficavam batendo, só sentia raiva e ao mesmo tempo medo. Tudo escureceu, as luzes começaram a piscar freneticamente, comecei a andar em sua direção, um movimento involuntário, suas risadas começaram a aumentar, aquele zunido voltou, minha cabeça começava a girar, parecia que ia explodir. Ele disse “Você vai morrer...”. Logo após isso, as portas pararam, as luzes também, minha visão escureceu. Não ouvia mais o zunido nem as risadas. Instantes depois tudo voltou ao normal, pelo menos eu achava que tinha voltado se não fosse um detalhe.
         O velho estava atirado no chão, todo contorcido, com uma expressão assustadora no rosto. Três corpos flutuavam em sua volta.
         Começaram a bater em minha porta, os corpos sumiram, apenas o do velho continuara ali, fiquei sem reação. “Sr. Mason, está por ai? Está tudo bem?”, era apenas uma das camareiras. “Claro que está, porque não estaria? Agora por favor, me deixe em paz que já estou saindo.” Senti que estava se distanciando. Estava suando muito e não sabia exatamente o que fazer, até que o corpo começa a evaporar na minha frente, com muitas risadas ao meu redor. A voz me falou: “Isto é apenas o começo.”, a porta de frente se abre sozinha e tudo parece normal.

domingo, 25 de julho de 2010

Pendulum (Cap. II - Mudanças)

Antes de continuar, gostaria que me conhecesse um pouco.


Cresci em uma família de políticos. Grande parte de meus parentes foram pessoas importantes na minha cidade, prefeitos e vereadores. Chamo-me Steve Mason, mas prefiro que me chamem de Steve, não gosto do meu sobrenome que sempre é lembrado pelos meus familiares. De todos os Mason, sou o único que não quis seguir a carreira política, me dediquei apenas aos meus ideais, constituir minha própria família, dar um novo rumo na vida, cujo sonho é criar uma rede hoteleira nas grandes cidades do país. Quero ser lembrado por Steve e não Mason.

Morei grande parte da vida no Texas, na cidade de San Antonio. Recentemente me mudei, estou morando em Nova York, dizem que é a cidade das oportunidades, assim, juntei as minhas coisas, peguei o dinheiro que era meu de direito e deliberei arriscar.

Procurei por algum hotel 5 estrelas, no jornal para comprar, por sorte achei um que estava meio acabado, com algumas letras apagadas, mal conseguia ler o seu nome, Crescent Hotel. Ao entrar vi uma bela recepção, um chafariz todo empoeirado e desativado, minha imaginação começou a ir a mil, idéias foram surgindo de como iria organizar. O dono era um idoso e queria se livrar alegando problemas de saúde. Não pensei duas vezes, fechei acordo na mesma hora. “Devo saber de alguma coisa deste hotel?”, perguntei. “Irás descobrir com o tempo! Este hotel tem muito a lhe oferecer. Fez um ótimo acordo.” Sem me dar outra chance de perguntar algo, me deu um leve sorriso, virou as costas e simplesmente se foi. Sem entender o motivo, fiquei pensando se realmente valeu à pena, embora as condições do hotel estivessem precárias, ainda era um bom lugar e razoavelmente localizável. Tinha 15 andares, 150 quartos, nos 2 últimos, 10 suítes presidenciais e 10 de luxos.

No primeiro mês me dediquei a resolver os problemas antes de “reinaugurar”, contratei técnicos para dar arrumarem a fiação e os encanamentos, que por sinal estava há um bom tempo sem reparações. Mandei pintar, trocar todo o forro, tapetes e tudo que estivesse sujo e quebrado. Vi realmente o porquê do preço baixo.

Então comecei a contratar pessoas para trabalharem no Hotel: camareiras, copeiros, garçons, recepcionistas, seguranças, mordomos para os quartos presidências e de luxo… Realmente fiz um investimento pesado, por sorte a fortuna de minha família é enorme e não precisei me preocupar com dinheiro. Coloquei anúncio nos principais meios de comunicação, TV, rádio, internet, jornais, diversos banners espalhados pela cidade, queria algo que chamasse a atenção, “Categoria Superior em cada detalhe.”, esse foi o slogan criado.

E pelo jeito valeu o investimento, já nas duas primeiras semanas muitas reservas feitas, grande parte são turistas que aproveitam o inverno para ver a neve. O natal se aproximava, mandei enfeitar toda a recepção com luzes e com um enorme pinheiro no centro. Para alegrar as crianças, contratei um Papai-Noel para trabalhar por meio turno, distribuía balas e tirava fotos.

Em pouco tempo fez sucesso, estava nas capas da Times, Fortune e People, como a nova sensação da cidade e junto com o hotel, estava eu, o mais novo empresário do momento. “Um jovem que decide não seguir a carreira de seus pais para tentar a vida na grande cidade...” “Sucesso, dinheiro e um sonho realizado. Aprenda com Steve Mason o seu segredo e muito mais.” “Desvende o coração desse jovem milionário. Ele está à procura se sua princesa descubra se você pode ser a próxima.” Já me tratavam como celebridade.

Senti-me como se tudo estivesse dando certo, minha carreira estava impulsionada pela mídia, o hotel virou ponto de referência no país, estavam agendando entrevistas, tanto para revistas e jornais, como na própria televisão. Vi-me obrigado a contratar alguém para tomar conta dos meus compromissos.

Acontece que estava faltando apenas uma coisa para que tudo ficasse ótimo, uma companheira. Durante esses 7 primeiros meses, já tinham passados algumas mulheres, mas nada que uma noite ou outra, nada sério. Estava com 25 anos e precisava tomar um rumo na minha vida amorosa. Mas como?

Resolvi sair aquele dia, liguei para minha, recém contratada, secretária e pedi para reservar uma mesa para dois no restaurante Jean-Georges. “Quem irá com o senhor? Preciso dos nomes para reserva.” “O quê vai fazer hoje à noite?” Perguntei para ela. “Como assim? Não entendi bem a pergunta?” Por um curto período de tempo fiquei pensando no que tinha falado, estou convidando minha secretária. E agora… onde estava com a cabeça? “Senhor Steve? Alô? Senhor?” “Sim Karoline.” Não tinha o que perder, no máximo iria receber um não e afinal de contas ela era muito linda. “Estou lhe convidando sim. Aceita ir comigo no Jean-Georges hoje à noite?” O silêncio tomou conta do outro lado da linha e comecei a ficar envergonhado do que tinha feito, mas ela respondeu com um tom de felicidade. “Nossa não consigo acreditar…, sim, sim eu aceito ir. Mas porque eu? Esqueça, vamos sim. Para que horas marco?” “Marque para as 21. O que acha?” “Perfeito senhor.” “E, por favor, não me chame de senhor, só de Steve. Ok?” “Sim senhor! Ops, sim Steve.” Escutei umas risadinhas e um “Yes!”, do outro lado.

Seu nome era Karoline Gonzáles, não conhecia muito da sua vida pessoal, apenas sabia que ela era filha de um mexicano com uma canadense, tinha 24 anos, sua estatura era baixa, seus olhos azuis e cabelos longos e loiros. Seu corpo era maravilhoso, deixava inveja em outras mulheres e por onde passava chamava atenção com seu rebolado.

A noite fria e estrelada, perfeita para um jantar. As 20:55, estava na frente do restaurante, nervoso, pensando se ela viria, mas felizmente avistei-a e acenei. O nervosismo tomou conta quando ela chegou perto. Estava com um vestido preto, cumprimentei e ela me respondeu com um lindo sorriso. Conversamos sobre tudo, rimos, contamos histórias de nossas vidas, infância, família, amores… Nós dois já estávamos bêbados de tanto vinho. Ofereci-me para levá-la em casa, mas ela recusou, dizendo que estava embriagado demais para dirigir. Sugeriu para que fossemos para meu hotel, ela tinha reservado um quarto para nós. Disse que já estava se prevenindo caso um dos dois ficassem embebedados, ou os dois. Na saída do restaurante fui literalmente “atacado” por paparazzi. De tantos flashes, fiquei mais tonto do que já estava. Chamei um táxi e fui para o hotel com a companhia de Karoline, ou Karol como ela prefere ser chamada.

Depois de fotografado até a entrada do hotel, fomos correndo para o elevador. O quarto ficava no 4º andar, número 444, me lembro de ter dado atenção especial a este quarto, pois 4 era o número de sorte do meu avô. Ao ficarmos em frente a porta, agradeci pela companhia, desejei uma boa noite e lhe dei um beijo no rosto. Quando virei de costas para ir embora, ela me segurou pelo braço e me puxou, ao virar, vi seu lindo lábio vindo e minha direção. Beijamos-nos por um tempo e entramos no quarto. Ela foi tirando a minha roupa e quando fui notar, ambos já estavam nus. Fizemos amor à noite inteira. Foi a melhor noite que tive em minha vida até hoje.

Quando acordei, olhei para o lado e vi que ela estava me olhando com um belo sorriso, retribui com outro e me levantei para ir ao banheiro. Notei que ainda estava escuro, as luzes do quarto não estavam acendendo e faltava água no banheiro. Ao voltar para a cama, peguei o relógio e vi que marcava exatas 3 horas da manhã. Virei-me para a Karol e vi que continuava sorrindo, percebi que não estávamos sozinhos no quarto, olhei para a janela e vi um corpo branco chorando. Sem saber o que estava passando e achando que ainda estava sobre o efeito do álcool, fui ao encontro daquele corpo branco, porém ao me aproximar, ela olha para mim e diz: ”Não se aproxime… Você um dia ainda vai entender a razão para isso… E desculpe por acabar assim. E cuidado com as horas, as horas, horas, ho…” E rapidamente abriu a janela e se jogou. Quando corri para a janela não vi nada, apenas os carros passando de um lado para o outro. Tudo em minha volta ficou escuro, comecei a vomitar, apenas conseguia sentir uma mão no meu rosto, uma voz de fundo e o som de uma batida, que oscilava em questão de segundos, faziam tic-tac… Essa combinação foi o suficiente para eu apagar completamente.

Pendulum (Cap. I - Frio Anormal)

Acordo no meio da noite, por volta das 3 da madrugada, sentindo que tinha alguém me observando. Olho para os lados e não vejo nada, isso acabou me tirando o sono, então decidi me levantar e fazer um chá para me acalmar.


Fui para a cozinha, abri meu velho armário, peguei minha xícara preferida que continha os dizeres: "Para o melhor namorado do mundo!", por um momento entrei em transe, fiquei contemplando aquela frase, que reluzia sobre a luz do luar que atravessava a janela e me trazia recordações daquele tempo, que, infelizmente não volta mais.

Ao colocar a água para esquentar, senti novamente alguém me observara. Olhei rapidamente por toda cozinha e indaguei. “Tem alguém ai?!”, mas nada, o silêncio se aprofundou, apenas se ouvia o som das árvores. Cheguei à conclusão que não havia nada e tudo era fruto da minha imaginação, fiz meu chá de camomila e fico observando a noite fria, o vento cortando a noite, parecendo tão inocente, mas com um corte semelhante ao da navalha. Sinto mais uma vez que tem alguém me observando, então ao me virar me deparo com um vulto na porta, flutuando, não tive reação, o frio foi subindo, congelando desde o meu pé até o ultimo fio de cabelo. Literalmente parei, perdi as forças, o medo tomou conta junto com aquele ar congelante que cortava meus pulmões, a xícara que tanto gostava deslizou de minha mão e se quebrou ao chão.

Aquele vulto ficava imóvel, pensei se estaria apenas me observando e quando pensei em me mover, o espírito veio em uma velocidade rápida demais para eu tentar fazer alguma coisa, fiquei cara a cara com ele.

Apavorei-me, minhas pernas amoleceram, tudo pesou, respirar estava ficando difícil, abaixei a cabeça e fechei os olhos, fiquei esperando alguma coisa, alguma reação, escutava apenas uma respiração forte do meu lado. Ao abrir os olhos, vejo uns pés brancos, decido olhar para cima, defrontar o tal espírito, vejo o rosto de uma mulher, com um leve sorriso no rosto, como se me convidasse para conversar. Seus cabelos estavam sobre seus olhos, então comecei a examinar, olhei novamente seus pés e fui subindo cautelosamente, sem fazer movimentos bruscos e quando encontro seus olhos de novo, fico completamente paralisado, sua feição mudou, o leve sorriso se tornou mais aterrorizante, como se estivesse preparando para atacar. E realmente atacou, ao vim ao meu encontro senti seu corpo atravessando o meu, minha cabeça parece que ia explodir, senti que o frio domara o recinto e que nada adiantaria eu gritar, tive a sensação de estar caindo e meu mundo desabando. Será meu fim?

Acordo todo suado, olho para o lado e me deparo com um lindo sol, batendo na cabeceira da minha cama. Levanto correndo e vou direto para a cozinha, vejo que minha xícara esta na pia e com um restinho de chá, porém intacta, nenhum sinal de ter se quebrado. Senti um frio na barriga, me lembro perfeitamente que a xícara tinha caído e quebrado no chão. Será que aconteceu mesmo ou é apenas delírio da minha cabeça?

Ao ir para o quarto tenho uma surpresa...

Sobre livro

Em uma noite como qualquer outra, me veio a inspiração de escrever um livro. Mas sobre o que?
Enquanto pensava no que escrever, estava escutando um grupo chamado Pendulum.
Seu ritmo é frenético, mistura rock com música eletronica, algo bem diferente. Optei por colocar o nome do livro de Pendulum.
Já o genero do livro foi uma escolha pessoal, gosto muito de filmes de terror.
Portanto decidi começar a postar nesse blog alguns capitulos.
Espero que gostem e estou aberto a sugestões.